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Manifesto a ideologia verdadeira

26 de setembro de 2026 — políticareligiãofilosofia

Nota do autor: essa foi uma pausa na poesia para manifestar o meu entendimento da vida, política, e religião. É escrita como um poema livre, mas deve ser interpretado como um manifesto político.

Pintura de um farol escuro em meio a um mar tempestuoso, sob um céu tomado por nuvens

Je suis un symbole. Ô tout-puissants imbéciles que vous êtes, ouvrez les yeux. J’incarne Tout. Je représente l’humanité telle que ses maîtres l’ont faite.1

Qual nobreza existe em seguir? Ou em fugir? Uns dizem que sempre existirão mestres, então de nada vale resistir ao inevitável domínio de um homem sob o outro. Sinto que sim, mas que devemos entender esse domínio, mesmo que natural, como uma regalia do subordinado para com o superior. Virtude, moral, e a fé em Cristo devem reger todas as relações de subordinação. O amor ao seu irmão deve guiar a mão humana sobre suas decisões, não por causa do inerente valor da subordinação, mas pelo dever divino dos soberanos, dado por Deus aos pais, maridos, patrões e reis. Não existe, portanto, relações insubstituíveis ou instituições eternas, a não ser a própria vontade do Senhor, a qual, como definido pelos gregos, deve ser o primeiro motor e base central da vida.

Nota do autor: Esse primeiro texto, escrevi em 2025. Esse abaixo, escrevo hoje.

Penso que continuo concordando com quase tudo que escrevi, e continuo acreditando que essa é a ideologia correta que deveríamos todos possuir (ideologia no senso da coisa pública), apenas mudaria que não se trata de uma “regalia”, mas sim de uma ordenança divina. Esclareço isso para não corremos o risco de ter algo com valor intrínseco fora de Cristo. Devemos ser virtuosos com os nossos subordinados e pessoas que dependem de nós, não pela virtude em si ou pelo mérito daqueles, mas pelo sacrifício que Cristo fez na cruz (essa sim, a relação mais desnivelada de toda a história, e que foi uma total regalia divina para conosco). Continuo acreditando que é sim um privilégio poder servir, mas faço essa distinção final.

1 Trecho da obra de Victor Hugo, L'Homme qui rit (O Homem que Ri, em tradução livre). Obra do século XIX de um dos maiores escritores de todos os tempos, diria que um dos que souberam melhor descrever relações de classes em toda a literatura. Esse trecho é uma fala do protagonista, Gwynplaine, um nobre desfigurado quando criança e forçado a viver como sem teto, que pode ser traduzido livremente por "Eu sou um símbolo. Ó tolos todo-poderosos que vocês são, abram os olhos. Eu personifico Tudo. Eu represento a humanidade como seus mestres a criaram". Não irei mastigar aqui o significado (se virem para ler o livro), mas gosto bastante de como Hugo não passa a mão na cabeça dos pobres/povo, como o marxismo e o socialismo utópico, ou os deixam a seu próprio prazer como o utilitarismo de Bentham. ↩