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Nota sobre os prédios brasileiros

26 de setembro de 2026 — arquiteturabrasilcidades

Vista aérea de prédios residenciais em Recife, cercados por árvores e avenidas

Nada mais justo para iniciar as notas por aqui do que falar sobre a arquitetura do nosso país.

Nota do Autor: O intuito das notas é ser apenas uma forma de organizar meus pensamentos sobre temas que gosto de ler e estudar, não terá dados, citações, etc., apenas meus pensamentos rasos sobre o assunto.

Eu tenho para mim que a arquitetura brasileira, século XX e XXI, é uma das maiores atrocidades a beleza no planeta.

Sei que, existe um viés de que os prédios antigos que sobreviveram são os de melhor qualidade e mais bonitos, por isso não se pode comparar uma casa de esquina aqui em Recife com o palácio do Ipiranga ou o teatro Santa Isabel, mas aqui tratarei mais da filosofia e sentimento por trás da arquitetura atual no país.

Acredito que, para fazer uma análise da nossa arquitetura pós-pós-moderna (porque acredito que já ultrapassamos o pós-modernismo, no sentido que o pós-modernismo do século passado desejava, conscientemente, romper com as tradições modernas e antigas, hoje, no pós-pós-modernismo, não desejamos nada, apenas existimos) precisamos entender a antropologia brasileira, já que a arquitetura, assim como todas as formas de arte, são frutos da mente humana (a controvérsias, mas vamos no ater a essa definição).

O brasileiro médio, aqueles de que eu e minha família fazemos parte, é o comprador e idealizador dessas aberrações que vemos nas nossas cidades. O brasileiro médio existe numa sociedade fruto de uma experiência colonial brutal, cujo a principal razão de existir era a própria sobrevivência e enriquecimento individual. Não possuímos uma sociedade coesa e, diferente dos Estados Unidos que também não possuem uma sociedade coesa e são individualistas, nós somos pobres.

Dessa forma, nossa arquitetura se moldou no pretexto de: o que eu quero + o que eu tenho dinheiro para fazer + o que eu preciso fazer.

Em sociedades coesas e ricas, como a europeia e a nova Inglaterra, a arquitetura é planejada como sociedade e cada individuo contribui dentro dos parâmetros definidos pela comunidade. Isso contribui para espaços pensados num convívio e aproveitamento social (não necessariamente bonitos, a de se ver as novas regiões portuárias de cidades como Copenhagen e Nova Iorque, todas em ACM, plástico e concreto) e não apenas no materialismo individual.

Dois disclaimers a serem feitos, antes de detalhar o porquê do meu odeio pelas nossas cidades: (i) eu sei que somos pobres, não dá para ter um central park em cada capital do país, mas ser pobre não é desculpa para um prédio de R$ 50 milhões parecer uma caixa branca do lado de um canal de esgoto; e, (ii) a falta de materialismo individualista europeia e rigidez regulatória é o motivo das casas por lá não terem ar-condicionado, e ocasionarem CENTENAS MORTES todos os anos no verão.

Meu ódio contra os apartamentos brasileiros não pode ser mensurado. Toda cidade que você visita no país possui as mesmas configurações: calçadas inexistentes ou malcuidadas, prédios de 30 andares cercado por muros, e espaços privados, dentro dos prédios, como se fossem clubes (não vale nem a pena falar das praças e espaços públicos, pois eles são frequentados por público sem poder aquisitivo, ocasionando um festival de ambulantes e crianças).

O brasileiro médio prefere construções dessa forma pelos motivos da proteção patrimonial (muro alto + cerca elétrica = ladrão não entra) e do individualismo (piscina + churrasqueira + quadra + academia + saúna = sou rico hehe).

As construtoras preferem essas construções pelos motivos do baixo custo/facilidade na construção (já que são padronizados no PAÍS INTEIRO), denominador comum na hora de vender/alugar, e facilidade na administração (muitas terceirizam, então é mais fácil cuidar de um prédio com dez alarmes de segurança e apenas vidro para limpar).

Os prédios são consequências das cidades e vice-versa. Tirando Curitba e São Paulo (e olhe lá), você precisa de carro para morar no Brasil. As cidades são construídas para os carros (no caso de Recife nem isso), e os prédios não são exceção. Não podemos chorar de não termos prédios simples voltados para a rua/calçada, se não temos calçada (!) e precisarmos de três vagas de garagem para cada membro da família poder se locomover. Brasil e Estados Unidos devem ser os únicos lugares do mundo em que a classe média tem três carros.

Depois vou fazer um ensaio explicando como podemos melhorar. Por enquanto, fica só a indignação com os prédios branco caixotes.