Fin de siècle (Poema livre)
Nota do autor: texto escrito em algum momento nas últimas semana de 2024.
Porquanto se aproxima o ano novo, inicia-se o velho sentimento pagão de “renovação e esperança”, mas não consigo deixar de notar um espírito de cautela, ansiedade e medo nas pessoas – e, principalmente, em mim. Todos os dias algum golpe de Estado ou catástrofe ambiental toma as manchetes, pensamentos, e conversas dos nossos dias. Aqueles que não estão drogados demais para dar a mínima projetam o seu ódio contra seus compatriotas. Ninguém acredita no passado, ou no futuro… todos esperam uma guerra, acho que anseiam por ela. Uma guerra para padronizar o mundo, definirmos novas regras para a sociedade. Quando Roma caiu, seus líderes estavam bêbados demais para notar, e seus súditos, famintos demais para se importar. Eu não consigo dizer qual lado estou, e isso é pior que está no lado perdedor.
Eu talvez devesse fazer uma retrospectiva do ano, mas vai contra minha filosofia de não pensar no passado. Talvez eu vou ficar bem.
One cannot escape from the self.
A man life is the contemplation of the loneliness of the heart, and soulless of the mind.
Happiness is the foolish tentation of self-awareness.
Men don’t deserve heaven, and heaven doesn’t need men. That’s the tragedy of life.
Como conciliar a nossa depravação com o amor e coragem inerente aos homens? Nossas falhas se mostram nossas maiores benções, por sermos nós os frutos de doença e matança sem fim. A arte surge do paradoxo que é o homem. Somos capazes de amor e ódio, palavras boas e terríveis. Me perdoe mãe, me perdoe pai, pelo que devo fazer.