Poema Épico-romântico 2
Em certo reino celta,
antes do nascimento de nosso Senhor,
um príncipe indaga:
“Será a vida apenas dor?”
Do outro lado do rio, seu súdito ri:
“Quantos peixes, louvado seja Lir!”
De forma exata,
na Itália, o Rubicão,
por César clamava.
Pronto para láureas e aclamação,
exclamando: Pontifex Maximus.
Se não estivessem tão ocupados colhendo farros.
Talvez por isso, na mesma península
hoje se diga: “Dolce far niente”.
Você também diria se sua república
virasse um supermercado para indulgentes.
Quantos Césares, reis, e papas a Júlio sucedeu,
para, no fim, se tornar tudo um museu.
Salomão já nos alertava sobre o tempo.
Que bem que não viveu
o suficiente para ver o tanto
que profanaram o seu.
Talvez, no fim do dia, o único judeu tenha sido Abraão,
pois duvido ter sobrado algum na minha geração.
Como ter certeza do destino?
Se à Fortuna damos graça,
onde anda você, peregrino?
Nos escombros de Odessa?
Pois heróis não são aqueles a quem fate conclama,
mas a quem a chama.
Audentis Fortuna iuvat.
Foi o que Virgílio conclamou,
mas eu digo esta tarde:
“Cara divindade, não estou
aqui para pedir perdão,
mas para avisar de futura confusão”.
“Se não me considera, portanto,
corajoso o bastante para me ajudar,
saiba que não me importo tanto
para sua existência salutar.
Porém, tente ficar no meu caminho, minha cara,
que você entenderá por que os romanos falam inglês agora”.
Cada dia é uma epopeia,
com seus próprios deuses e heróis.
Suas pedras e momentos preciosos, por Teia
concedidos àqueles que coabitam em teus lençóis.
Onde o desejo superabunda e supera seus calos,
e onde os ventos da história sopram como em Palos.