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Poema Trágico-romântico 1

26 de setembro de 2026 — poesiaromantismoamor

Como conciliar o amor e o desejo?
Nós amamos o que é real, o presente,
e desejamos o ideal, o que achamos certo,
especial, nosso por direito e patente,
mas Deus nos deu a paradoxal capacidade
de amar e desejar distintas realidades.

Como um Deus pode escrever
tamanha crueldade
para alma e para o ser,
todavia é verdade
que tal escrita move nossa raça
e nos permite sermos humanos, pela sua graça.

Eu, como homem, desejo os céus.
Minha ambição não tem fim,
e isso me assusta. “Pelos teus
filhos”, a Palavra diz.
Como serei pai se continuar a amá-la?
Como serei homem se a afastar?

Minha alma está em conflito,
pois não se trata de moralidade
ou ensinamento bíblico.
Trata-se, apenas, da minha vaidade,
do meu narcisismo e egocentrismo.
De querer ter tudo, mas numa vida vazia.